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domingo, 22 de abril de 2012

Como diferenciar bumerangues para destros e canhotos


Olá, bumeranguers!

Uma coisa que poucos iniciantes sabem é há bumerangues próprios para destros e para canhotos, além de modelos ambidestros. Aqui vou ensinar como reconhecê-los e também como regular um bumerangue ambidestro para que ele funcione corretamente.

A primeira coisa que se deve saber é que o bumerangue tem uma parte de cima abaulada (geralmente a única pintada) e uma parte de baixo plana. Além disso, cada asa tem um lado mais grosso (borda de ataque) e outro mais fino (borda de fuga). É isso que vamos usar como referência para saber com que mão o bumerangue deve ser arremessado.

Segurando o bumerangue com a parte pintada para cima, olhe para a ponta da asa e perceba seu perfil. Se a borda de ataque estiver à direita, o bumerangue é para destros. Claro que, se a borda de ataque estiver à esquerda, o bumerangue é para canhoto.

Vista lateral da asa de um bumerangue para destro

Note que todas as asas do bumerangue devem ter o mesmo perfil. Se um bumerangue tiver uma asa igual à da imagem acima e outra (s) com a configuração inversa, ele foi fabricado incorretamente e nunca vai voar como deveria. Isso acontece porque, ao arremessar o bumerangue, a borda de ataque de cada asa sempre deve cortar o ar, nunca a borda de fuga.

Além dos modelos para destro e canhoto, existem também os modelos ambidestros. Eles são fabricados em plástico e devem ser regulados antes de se arremessar. A diferença deles é que o perfil da asa é neutro, não tem borda de fuga, nem borda de ataque.

Vista lateral da asa de um bumerangue ambidestro.
Modelo: Trifly

Para que esses bumerangues retornem, devemos torcer todas as asas como se estivéssemos acelerando uma moto. Se torcermos com a mão esquerda, ele servirá para canhoto. Se torcermos com a mão esquerda, ele se tornará um bumerangue para destros. Notem que quanto mais você torcer as asas, mais perto o bumerangue voará. Cuidado para não torcer de mais, ou o bumerangue perderá muito giro e não completará o voo. Ressalto que esses bumerangues não são feitos para que a regulagem seja trocada a toda hora. Então, uma vez regulados para destros, o plástico "se acostuma" com a torção e eles não poderão ser regulado para canhotos.

 Assim o bumerangue poderá ser arremessado por
canhotos

  Assim o bumerangue poderá ser arremessado por
destros

Também é possível empenar as asas um pouco para cima para fazer o bumerangue voar mais alto (isso se chama "colocar diedro"). É comum que esses bumerangues estejam um pouco empenados para baixo quando chegam às lojas, então essa regulagem é bem útil. Se o bumerangue estiver voando alto de mais, você pode empenar um pouco de volta para baixo e a altura do voo será menor. Ao contrário da regulagem anterior, essa pode ser revertida à vontade.


Agora é só arremessar. Lembre-se de tomar todas as medidas de segurança. Você também pode regular o bumerangue de outras maneiras a depender do efeito que deseja. E se você ainda não comprou seu bumerangue, veja algumas dicas de como escolher seu primeiro modelo.


Bons ventos a todos!
Ítalo Carvalho

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Porque o bumerangue volta 03: juntando tudo

Olá, bumeranguers!


Enfim a última parte da nossa explicação do retorno do bumerangue. Lembro que essa é a continuação de dois posts anteriores, nos quais falo sobre os princípios do voo e sobre efeito giroscópico e velocidade relativa. Se você não os leu ou não tem conhecimento nesses assuntos, vai lá ler (é rapidinho).

Como é preciso falar de diversas forças e movimentos que atuam em diversas direções, criei um ambiente em 3D (três dimensões: largura, altura e comprimento) para ajudar. Ele é composto de 3 planos, cada um de uma cor. Fazendo uma analogia bem simples, é como se ele representasse o canto de um quarto, com o chão abaixo (em azul), uma parede à direita (em vermelho) e uma parede à esquerda (em verde). Isso ajudará a entender em que direção cada força ou movimento atua, pois elas terão a cor do plano ao qual são paralelas. Assim, se uma seta tiver a cor vermelha, é como se ela tivesse sido desenhada no plano vermelho e afastada dele em direção à esquerda.

Figura 01: bumerangue para destro representado
em um ambiente 3D.


O bumerangue está representado em laranja e é observado, (por conveniência) do ponto de vista de um arremessador destro. Bumerangues para canhoto funcionam da mesma forma, invertendo apenas os sentidos dos movimentos. Modelos de duas ou mais de três asas também funcionam da mesma forma que os de três.

Para entender melhor a explicação, eu recomendo que você tenha em mãos um bumerangue de três asas e tente localizar nele as mesmas forças que estão representadas nas imagens.

Vou novamente pedir desculpas antecipadas aos físicos de plantão, pois fiz diversas simplificações para tonar a explicação mais compreensível pelo público leigo em física (ninguém entenderia se eu começasse a falar em decomposição de vetores, força centrífuga e centrípeta e outros termos técnicos), mas nem por isso ela está menos correta.


OS DOIS MOVIMENTOS DO BUMERANGUE


O bumerangue realiza dois movimentos. O primeiro é em torno de seu próprio eixo, conhecido popularmente como "giro" (spin), e que aqui chamaremos de "rotação" (Figura 02). Embora vejamos o movimento de rotação como contínuo e circular (seta circular, no centro), ele na verdade é composto de mínimos movimentos lineares (retos) que cada asa executa numa direção diferente e em sincronia com as outras (setas retas nas potas das asas). Entender isso é fundamental para nosso objetivo aqui.

Figura 02: cada asa realiza um movimento linear
e a soma desses movimentos gera o movimento
circular.

O segundo movimento é aquele em que o bumerangue se desloca pelo espaço, causado pela força do arremesso, e que chamaremos aqui de "deslocamento". Como o arremesso é em linha reta, esse movimento é inicialmente representado na Figura 03 por uma grande seta vermelha reta.

Figura 03: o bumerangue se desloca no espaço.

Para simplificar a explicação (e o entendimento), vamos considerar inicialmente que o bumerangue é arremessado não inclinado, mas exatamente na vertical. Basicamente a única implicação que isso terá é que vamos ignorar a existência da gravidade. Vamos ignorar também a influência do vento. Mas nada disso impede que entendamos como é possível o bumerangue voltar ao ponto de partida.


ROTAÇÃO

Vamos analisar primeiro o que acontece quando um bumerangue gira. As asas de um bumerangue têm um perfil aerodinâmico semelhante ao das asas dos aviões, com uma borda de ataque e uma borda de fuga (não representadas nas imagens). Isso faz com que, ao cortar o ar com a borda de ataque, se crie uma força de sustentação nas asas (Figura 04). Essa força é perpendicular à direção do movimento da asa (setas verdes).

Figura 04: quando o bumerangue gira, as asas
geram sustentação.

Assim, quando o bumerangue gira, todas as suas asas geram uma força de sustentação em direção à parte de cima do bumerangue, ou seja da direita para a esquerda (o giro do bumerangue age, então, como uma força de tração). Agora, você poderia perguntar "Então por que o bumerangue não voa reto e para a esquerda?" (Figura 05). Isso não acontece porque, a cada momento, as asas não geram todas a mesma força de sustentação.

Figura 05: o bumerangue não faz esse movimento
porque a sustentação gerada não é a mesma
em todas as asas.




VELOCIDADE RELATIVA

As asas geram diferentes forças de sustentação porque suas velocidades relativas variam durante a rotação. Lembre-se que além da rotação, o bumerangue também realiza o deslocamento. Quando os dois movimentos não estão alinhados, apenas a rotação age como força de tração na asa (na Figura 06, é isso que está acontecendo nas asas 2 e 3). Mas quando os dois movimentos estão alinhados, um irá interferir no outro, aumentando ou diminuindo a força de tração e, consequentemente, a sustentação gerada asa.

Quando a rotação (seta vermelha pequena) e o deslocamento (seta vermelha grande) estão na mesma direção (na asa um) elas somam suas forças, fazendo com que a asa corte o ar mais rápido e gerando uma sustentação maior (seta verde grande).

Figura 06: deslocamento e rotação se somam na asa 1 
e geram uma sustentação maior que nas outras asas.

Porém, quando a rotação e o deslocamento estão em direções contrárias (novamente na asa 1), suas forças se subtraem, fazendo a asa cortar o ar com menos velocidade, reduzindo a sustentação gerada (seta verde pequena).

Figura 07: Deslocamento e tração se subtraem na asa 1 
e geram uma sustentação menor que nas outras asas.

Assim, a cada rotação completa do bumerangue, todas as asas vão passar por esses dois momentos. Quando ela estiver apontando exatamente para cima, ela gerará mais sustentação (sustentação máxima). Quando ela estiver apontando exatamente para baixo, ele gerará menos sustentação. Já quando ela estiver apontando para qualquer outra direção, a sustentação será a mesma em todas elas.

Novamente, você poderia fazer uma pergunta: "Mas se a asa de cima gera mais sustentação que todas as outras, por que o bumerangue simplesmente não deita, ficando com a parte de baixo para cima?" (Figura 08, seta verde curva). E agora sim completaremos a nossa explicação de porque o bumerangue volta: por causa da precessão giroscópica.

Figura 08: o bumerangue não faz esse movimento 
por causa da precessão giroscópica

PRECESSÃO GIROSCÓPICA

Sempre que uma asa gera a sustentação máxima, na parte de cima do movimento de rotação, a força só irá fazer efeito 90º depois, quando a asa estiver apontando para a frente (seta azul).

Figura 09: a precessão giroscópica só permite que a 
sustentação máxima faça efeito 90º depois.

Assim, ela empurra o bumerangue um pouco para a esquerda. Logo em seguida, a segunda asa, (que gerou sustentação máxima alguns instantes antes) a substitui e empurra mais um pouco e o ciclo se repete com a terceira asa e depois novamente com a primeira.

Figura 10: as asas se alternam, empurrando o
bumerangue para a esquerda.

Assim, o bumerangue ganha um novo movimento curvo, girando em torno de outro eixo próprio, mas dessa vez no sentido anti-horário. Esse é o movimento da precessão giroscópica.

Figura 11: a soma das forças que agem nas asas faz
o bumerangue girar em torno de um novo eixo.


JUNTANDO TUDO

Agora é a hora de juntar os dois movimentos (Figura 12): o deslocamento (seta vermelha) e a precessão giroscópica (seta azul). É a soma desses dois movimentos (seta roxa) que empurrará o bumerangue, fazendo com ele percorra uma trajetória curva pelo ar e retorne ao ponto de partida (Figura 13).

Figura 12: deslocamento e precessão se somam.

Figura 13: É essa soma que fará com que o
bumerangue retorne.

E assim se encerra nossa explicação. Isso é apenas o básico, entendendo isso é possível entender também porque modelos com as asas voltadas para a frente tendem a voar baixo (geralmente para Fast Catch) e modelos com as asas voltadas para trás tendem a voar alto (geralmente para Trick Catch). Mas isso já é assunto para outros posts.

Qualquer dúvida vocês podem perguntar usando os comentários.



Bons ventos a todos!
Ítalo Carvalho.


*Todas as imagens por Ítalo Carvalho.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Minibumerangue de pote de sorvete

Olá, bumeranguers!






O mais bacana do bumerangue é que você pode fazer diversos tipos para se adequar a diversas condições de espaço. Muitas pessoas adoram poder arremessar bumerangues dentro de suas próprias casas e criam os mais diversos modelos indoor. Aqui eu vou ensinar como fazer o modelo do vídeo acima, que eu mesmo criei e que possui várias vantagens:

  • Possui um alcance máximo de 3,5 m, podendo facilmente ser arremessando dentre de uma sala (casa, apartamento, colégio, escritório). Isso também elimina a preocupação com o vento, necessário para se arremessar bumerangues maiores;
  • É pequeno, então pode ser levado para qualquer lugar;
  • É fácil de arremessar, servindo para qualquer pessoa que nunca teve contato com bumerangues aprender;
  • É feito de material resistente, que não quebra nem amassa com os eventuais choques;
  • É fácil de fazer, precisando apenas de materiais fáceis de encontrar na maioria das casas;
  • É feito de material reutilizado, logo, ecologicamente correto;
  • Suas dimensões reduzidas e o fato de ser feito por asas cortadas separadamente e unidas por abas permite o melhor aproveitamento do material;
  • É uma excelente forma de divulgar o bumerangue (eu sempre tenho alguns na mochila para distribuir entre os curiosos).

A única desvantagem é que, por ser muito leve, este bumerangue não pode ser arremessado em lugares abertos, pois o vento não vai deixar que ele voe corretamente. Mesmo assim é muito divertido sempre ter um desses por perto.



FABRICAÇÃO

Você  vai precisar de uma embalagem de polipropileno (PP) com espessura entre 0,5 e 1 mm. A que usei foi um pote de sorvete de 2 litros, que tem em média 0,75 mm de espessura. Para saber se a embalagem é de PP, basta procurar por um símbolo como o da foto abaixo. 

O número 5 dentro de três setas formando um 
triângulo sempre indica que o material é PP.

Depois, desenhe as asas usando a planta abaixo. Você pode salvar no seu computador (clique para ampliar), imprimir, recortar e colar ao pote (o papel sairá facilmente depois, mas ficará por tempo o suficiente para você cortar as asas) ou posicionar a planta sobre ele e riscar usando um lápis de ponta macia (do tipo B ou HB) ou até marcadores permanentes (do tipo usado para escrever em DVDs). Não se esqueça de desenhar também a linha tracejada, é ela que usaremos para fazer o vinco (ver mais adiante). Como o bumerangue que mostro aqui é para destro, não se esqueça de inverter a planta antes de imprimir, se você for canhoto (sim, existem bumerangues para destros e bumerangues para canhotos). Inverta também sempre que as instruções se referirem a esquerda e direita.



Dá para aproveitar todos os lados, o fundo e a tampa do pote de sorvete, basta saber como posicionar as asas (em alguns potes é possível fazer até 15 asas, ou seja, 5 bumerangues). Talvez você ache mais fácil cortar as laterais primeiro do que riscar o pote ainda inteiro. As asas não precisam ficar perfeitas para o bumerangue funcionar corretamente (às vezes se perde um canto nas abas parte de baixo da asa, por exemplo), mas elas devem ser planas, então nunca use as partes curvas do pote.

Como aproveitar bem o pote.

Em alguns casos, as laterais do pote têm um desnível de mais ou menos 1,5 ~ 2 mm na parte de cima. Se você tiver um desses, basta fazer com que essa seja a parte de baixo das asas. Outros potes apresentam um desnível de menos de 1 mm, que pode ser ignorado.

Se o desnível for maior que 1 mm, basta deixá-lo na parte de baixo
das asas que o bumerangue funcionará perfeitamente.

Depois de cortar as asas, posicione-as encaixando as abas. Note que as asas apontam para o sentido anti-horário e que a linha do vinco fica à esquerda da asa que está apontando para as 12 h (no caso de um bumerangue para canhotos, as asas vão apontar para o sentido horário e a linha do vinco ficará à direita). Note que as asas não se encaixam perfeitamente e sempre ficará um pequeno orifício triangular entre elas.

Todas as asas apontam para o sentido
anti-horário.

De preferência, as abas de cada asa devem ser alternadas, sendo que a da esquerda fica por baixo da sua vizinha e a da direita, por cima (lembre de inverter se for para canhoto!).

Nenhuma asa tem as duas abas sobre as abas
das vizinhas, nem as duas embaixo.

Depois de posicionar as três asas, use pedaços de fita adesiva para segurá-las no lugar e grampeie as abas onde elas se sobrepõem. Como o plástico é mais resistente que papel, grampeie com bastante força para que o grampo possa perfurar as duas abas. Depois retire a fita adesiva.

O grampo deve ficar exatamente no lugar que as
abas se encontram.

Para evitar possíveis acidentes (Como furar a mão com a ponta do grampo. Não é nada grave, mas mesmo assim dói) e para evitar que as asas trepidem durante o voo (reduz a eficiência do bumerangue e ele pode cair antes de completar a volta), achate o lado de trás do grampo com alguma coisa dura (se você não tiver martelo, improvise).

As pontas do grampo à esquerda já estão 
achatadas, o que evita machucados.

Agora, pra terminar, é só fazer o vinco. Ele não é nada além de uma dobra na lateral da asa, mas é o principal responsável pelo funcionamento do bumerangue. Sem o vinco, o bumerangue não retornaria. Basta posicionar o bumerangue sobre a quina de algum móvel (a quina deve ser o mais reta possível) usando como guia a linha já riscada na asa. Depois, pressione com o dedo até o plástico ficar dobrado. Repita nas outras asas. Se você preferir, poderá usar a ponta de um alicate universal em vez da quina.

Pressione o máximo que puder, pois o plastico
sempre tende a voltar à posição original.

O resultado final é mais ou menos este.

 Note que o ângulo do vinco não é muito fechado.

O ângulo do vinco não pode ser muito aberto, pois o bumerangue fará um voo muito aberto e cairá muito na sua frente. Mas também não pode ser muito fechado, ou o bumerangue perderá giro e também não completará o voo. O melhor jeito de determinar o ângulo correto é testando, mas será algo parecido com o das fotos acima.

Agora um detalhe importante: o bumerangue possui um lado de cima e um lado de baixo. O lado de cima é aquele em que desenhamos a linha do vinco. Por exclusão o lado de baixo é o lado oposto (ou seja, o vinco  depois de dobrado deve apontar em direção ao lado de baixo do bumerangue). Para ajudar a identificar mais facilmente, você pode pintar ou desenhar a parte de cima do bumerangue com o marcador de DVD (só evite pintar a ponta das asas, pois a tinta pode manchar seus dedos quando você estiver arremessando). Por convenção, apenas a parte de cima do  bumerangue é pintada, pergunte a qualquer fabricante.

Você pode criar pinturas abstratas ou usar figuras
com os mais diversos temas.


ARREMESSO

Com o bumerangue pronto, é hora de aprender a arremessar. A primeira coisa que você deve aprender é que o bumerangue nunca é arremessado deitado. Mas ele também não é arremessado em pé. A maneira correta é segurá-lo inclinado, mais próximo da vertical, e com a parte de cima virada para você. O bumerangue deve então ser inclinado para a direita (se for canhoto, para a esquerda)

 Se você arremessar o bumerangue deitado, ele irá
subir, bater no teto e não voltará.

Se arremessar na vertical, ele simplesmente irá cair.

Arremessando inclinado, ele voará corretamente.

O jeito de segurar o bumerangue também influencia. A coisa mais importante no arremesso é fazer o bumerangue girar em torno de si mesmo. Aqui vão algumas dicas para facilitar e aumentar o giro que você coloca no bumerangue.

Coloque o bumerangue entre seus dedos indicador e polegar, fazendo uma posição de pinça, sendo que o dedo indicador deverá ficar dobrado. Procure segurá-lo o mais próximo possível da borda da asa, mas com segurança (eu brinco dizendo que quanto mais "nojo" você tiver do bumerangue, melhor será o arremesso).

Assim o bumerangue terá menos giro no arremesso. 

 Assim é possível colocar mais giro.

A segunda coisa a observar é a posição do bumerangue em relação à mão. É comum que os iniciantes posicionem o bumerangue muito para a frente. O ideal é que ele seja posicionado mais para trás, ficando praticamente sobre a mão (mas sem encostar nela).

Dessa maneira quase não dá para colocar giro
no bumerangue.

Assim é muito mais fácil colocar giro.

Por último, mas o mais importante, vem o movimento do pulso. Sem ele, todas as dicas acima são inúteis. Quando for arremessar o bumerangue, leve a mão para trás e depois a movimente para frente com força, "quebrando" o pulso. É isso que vai fazer o bumerangue girar. Lembre-se que o importante é esse movimento e mova o cotovelo o mínimo possível. Se o bumerangue subir muito e bater no teto ou cair muito à frente, tente arremessar com menos força. Se ele começar a voltar mas não completar o trajeto, tente  colocar um pouco mais de força. Iniciantes geralmente têm problemas em controlar a força e colocar mais giro, mas como um pouco de prática e perseverança conseguem ótimos resultados e fazem os movimentos com mais naturalidade.

E mais um detalhe: o bumerangue deve ser arremessado para a frente (em direção à linha do horizonte). Se você o arremessar para baixo, ele irá bater no chão ou descer, subir muito e cair antes de voltar a você. Por outro lado, se você o arremessar para cima, ele vai bater no teto ou subir, descer bastante e também cair antes de chegar em você.

Perceba que, embora o bumerangue seja arremessado quase na vertical, ele se "deita" durante o voo e chega até você na horizontal. Ele voará para a esquerda (no caso dos canhotos, para a direita) e para pegá-lo você vai usar as duas mãos, uma por cima e a outra por baixo do bumerangue, como que fazendo um sanduíche. Se ele vier em direção a seu rosto, não tente pegá-lo. Isso evitará alguns acidentes (Nada muito sério, o bumerangue é muito leve para causar ferimentos graves. Mas mesmo assim dói se acertar o nariz).

Depois de conseguir pegar todos os arremessos, você pode começar a brincar de pegar o bumerangue de formas diferentes (por trás das costas, por baixo das pernas etc.). Veja a vídeo aula de Trick Catch do Sandro Freitas para conhecer algumas. Você também pode tentar arremessar dois bumerangues de uma vez ou até mesmo fazer malabarismos mantendo sempre um bumerangue no ar. Se você tiver um amigo que também saiba arremessar, uma pequena competição pode ser divertida.


REGULAGEM

É possível regular o bumerangue pra mudar algumas características do voo. As regulagens são feitas a partir de torções e empenamentos e não são permanentes, pois o plástico geralmente retorna a sua posição inicial depois de um tempo, mas ainda assim vale a pena aprender:

Para fazer o bumerangue voar um pouco mais alto,
empene uma ou mais asas para cima.

 Para ele voar um pouco mais baixo, empene uma
ou mais asas para baixo.

Para fazer o bumerangue voar um pouco mais perto,
torça uma ou mais asas para dentro, como se
estivesse acelerando uma moto.


 Para ele o bumerangue voar um pouco mais longe,
torça uma ou mais asas para fora, como se
estivesse desacelerando a moto.


Além de divertido, esse bumerangue também pode ser educativo. Seria muito interessante utilizá-lo em oficinas de reutilização e reciclagem de materiais, por exemplo. Ou até mesmo em aulas de Educação Física. Se alguém fizer algo do tipo, envie um e-mail contando a experiência (de preferência com fotos ou link para vídeo no Youtube) e eu divulgo aqui no blog. Se alguém criar modelos diferentes, também sinta-se a vontade para compartilhar.


REPERCUTINDO

Boas ideias DEVEM ser compartilhadas. Aqui vão alguns registros de onde essa ideia já repercutiu:


Atualizado em 29/04/12
O Flávio Moraes (São Carlos - SP) fez esse vídeo com o bumerangue que ele fabricou seguindo apenas as instruções acima. Obrigado por compartilhar, Flávio!


Atualizado em 15/05/12
O Anderson Do Vale (Mogi das Cruzes - SP) deu uma aula (literalmente) de como fazer e arremessar bumerangues de pote de sorvete. Foram mais de 200 exemplares de todas as cores possíveis. Obrigado pelo vídeo, Anderson!



Bons ventos a todos!
Ítalo Carvalho.


*Todas as fotos e imagens por Ítalo Carvalho, exceto quando especificado o contrário.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Porque o bumerangue volta 02: outros princípios físicos

Olá, bumeranguers!

Continuando a explicação sobre porque o bumerangue volta, iniciada no post sobre o voo, vou falar agora sobre outros dois princípios físicos, cada um tendo uma contribuição importante para o resultado final. Para não complicar, vou explicar cada um separadamente usando exemplos diversos. Como no post anterior, o bumerangue ainda ficará em segundo plano.


VELOCIDADE RELATIVA
A velocidade relativa diz respeito à velocidade com que dois corpos que se movimentam numa mesma direção (ou seja, numa mesma linha reta) se aproximam ou se afastam um do outro.

Imaginem a seguinte situação: um carro se movimenta da esquerda para a direita a 50 Km/h. Uma criança de dentro desse carro arremessa um pedra da direita para a esquerda (no sentido oposto ao que o carro se movimenta)a 10 Km/h. Porém, como a pedra já tinha uma velocidade maior no sentido oposto, essas duas velocidades vão se subtrair. Assim, a pedra continuará se movimentando da esquerda para a direita, mas com uma velocidade de 40 Km/h.

De maneira parecida, se a criança arremessar a pedra da esquerda para a direita (no mesmo sentido em que o carro se movimenta), as velocidades vão se somar. Assim, a pedra vai se deslocar a 60 Km/h.

Resumindo: se os dois corpos se movimentarem no mesmo sentido (os dois da esquerda para a direita), as velocidades se somam. Se os dois corpos se movimentam em sentidos contrários, as velocidades se subtraem.


PRECESSÃO GIROSCÓPICA
A segunda lei de Newton diz que "Todo corpo continua em seu estado de repouso ou de movimento uniforme em uma linha reta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças aplicadas sobre ele", sendo essa propriedade conhecida com inércia. Esta lei também se aplica a corpos que giram.

Imaginem uma roda de bicicleta girando (Imagem 01), com o eixo (linha vermelha tracejada) paralelo ao solo (a roda estaria "em pé"). Ela tenderá a se manter girando nessa mesma posição a menos que alguma força atue sobre ela. Porém, se for aplicada uma força paralela ao eixo (seta verde), por causa da inércia a força fará efeito apenas 90 º (um quarto de volta) depois do ponto em que foi aplicada (Imagem 02, seta azul).

Imagem 01: A força é aplicada paralela ao eixo,
quando a mancha roxa está na parte de cima

Imagem 02: a força fará efeito 90° depois, quando
a mancha roxa está na parte da esqueda.

Assim, se a roda estiver girando no sentido antihorário e a empurramos para o lado na parte de cima (onde está a mancha roxa na Imagem 01), a força só fará efeito quando aquela parte da roda estiver na esquerda (onde e está a mancha roxa como na figura 02). Isso faria com que a roda, em vez de tombar para o lado, girasse (Imagem 03), ganhando um novo eixo de rotação (ou seja, ela irá gira em torno de si mesma em duas direções diferentes ao mesmo tempo, como na Imagem 04). Essa é a "precessão giroscópica", também conhecida como "efeito giroscópico".

 Imagem 03: em vez de tombar, a roda começa a girar 
em torno de um eixo vertical (linha azul tracejada)
Imagem 04: os dois eixos de rotação da roda, um na
vertical (azul) e outro na horizontal (vermelho)


Basicamente são esses os princípios, junto com os princípios do voo, que explicam o retorno do bumerangue. No próximo post da série eu junto todos eles e dou a explicação completa. É válido lembrar que outros princípios físicos também atuam sobre bumerangues (como o torque), mas que não são essenciais para entender por que eles voltam. Talvez eu fale um pouco mais sobre eles no futuro.




Bons ventos a todos!
Ítalo Carvalho.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Breve história dos campeonatos mundiais


Olá, bumeranguers!


Um pouquinho mais da história do bumerangue pra vocês:


A história dos campeonatos mundiais começa oficialmente em 1991, quando foi disputada em Perth, na Austrália, a primeira Copa do Mundo de Bumerangue. No mesmo período, foi fundada a World Boomerang Association (WBA), responsável pela promoção do esporte e organização de campeonatos.

Desde 1992 os campeonatos mundiais são realizados de dois em dois anos.
 A International Federation of Boomerang Associations (IFBA), atual órgão mundial responsável pela padronização do esporte, fundada oficialmente em 2004, é a herdeira da WBA. 

As principais provas 
- não todas - disputadas nas competições atuais foram estabelecidas pela Australian Boomerang Association (Associação de Bumerangue da Austrália). São deles também o primeiro campeonato oficial de bumerangues, disputado na década de 60 em Melbourne, dois anos após a fundação da Australian Boomerang Association.

Quase 20 anos depois, em 1987 nos EUA, foi realizado o primeiro evento internacional, com americanos, franceses, australianos e alemães.
 Estes primeiros campeonatos eram chamados de International Team Cup Challenge. Neles, os campeões foram: 
  • 1987 - Realizado nos EUA, campeão: Chet Snouffer (EUA);
  • 1988 - Realizado na Austrália, campeão: Rob Croll (Austrália);
  • 1989 - Realizado nos EUA, campeão: Chet Snouffer (EUA) .

Como dissemos acima, os Campeonatos Mundiais de Bumerangue (WBC) começaram oficialmente em 1991. Segue abaixo a lista dos campeões mundiais: 

  • 1991 - Realizado na Austrália, campeão: John Koehler (EUA);
    Participação do brasileiro Carlos Martini Filho (Magrão).
  • 1992 - Realizado na Alemanha, campeão: Fridolin Frost (Alemanha);
  • 1994 - Realizado no Japão, campeão: Chet Snouffer (EUA);
  • 1996 - Realizado na Nova Zelândia, campeão: Rob Croll (Austrália);
  • 1998 - Realizado nos EUA, campeão: Fridolin Frost (Alemanha);
  • 2000 - Realizado na Austrália, campeão: Manuel Schuetz (Suiça);
  • 2002 - Realizado na Alemanha, campeão: Manuel Schuetz (Suiça); Participação dos brasileiros Tiago Gava, Ricardo Marx e Carlos Martini Filho (Magrão), sendo que o Magrão não participou das disputas.
  • 2004 - realizado na França, campeão: Manuel Schuetz (Suiça);
    Presença do brasileiro Carlos Martini Filho (Magrão), que não competiu.
  • 2006 - Realizado no Japão, campeão: Fridolin Frost (Alemanha);
  • 2008 - Realizado nos EUA, campeão: Fridolin Frost (Alemanha);
    Participação dos brasileiros Roberto Cereser Alejarra, Ricardo Marx e Jerri Leu, que junto com Oliver Snook, compuseram a primeira equipe brasileira a participar das provas por times de um Campeonato mundial, com o nome de "The Others".
  • 2010 - Realizado na Itália, campeão: Alex Opri (Alemanha);
    Participação dos brasileiros André Caixeta Ribeiro (Edim), Ricardo Marx, Jerri Leu e Giosser Braga, que formaram a equipe "Skywalkers".
  • 2012 - A ser realizado no Brasil


Seguem os logos de alguns WBCs: 


          




E para terminar, alguns conselhos sobre nosso esporte:

"A diversão com bumerangue é um negócio sério!" (H. L. Mayhew, EUA, 1982)
"Não atire um bumerangue inútil ao ar, mas sim ao fogo!" (Folclore australiano)

"Faça bons bumerangues e guarde-os para você, o resto dê a seus amigos." (New Frontiers newletter, Austrália)

O melhor atleta é aquele que consegue levar sua noiva para o campo uma vez e ela continua o acompanhando no futuro, para arremessar ou simplesmente para ver.” (Georgi Dimantchev)


Bons ventos a todos!
Ítalo Carvalho.


Referências utilizadas:
Texto postado pelo Eduardo Wahler no blog Jornal do Bumerangue.